Esquecimento, Meditação e Santificação

“Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes tem o seu prazer na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite”. (Salmo 1:1-2)

“Oh! quanto amo a tua lei! É a minha meditação em todo o dia”. (Salmo 119:97)

Segundo a Bíblia, uma das características do homem justo é que ele medita na Palavra de Deus. Meditar significa direcionar os pensamentos para as verdades reveladas na Palavra de Deus, buscando compreender melhor o que elas significam e de que maneira elas se aplicam à vida prática. Quanto mais uma pessoa se esforça para meditar na Palavra de Deus da maneira correta, mais ela colherá os bons frutos de seus esforços: um padrão mais elevado de santidade (Salmo 119:11). Por isso, o apóstolo Paulo ensinou que o processo de santificação consiste primariamente em um processo de renovação do nosso entendimento (Romanos 12:2). Essa renovação ocorre através da meditação. Para chegarmos a um novo entendimento sobre qualquer assunto, precisamos meditar sobre aquele assunto. Ou seja, não existe santificação sem renovação de entendimento e não existe renovação de entendimento sem meditação.

Para entendermos a importância da meditação, precisamos entender o que a Bíblia ensina sobre o pecado do esquecimento – um pecado contra o primeiro mandamento (CMW, P. 105):

“Guardai-vos e não vos esqueçais da aliança do SENHOR vosso Deus, que tem feito convosco”. (Deuteronômio 4:23)

“Guarda-te, que não te esqueças do SENHOR, que te tirou da terra do Egito, da casa da servidão”. (Deuteronômio 6:12)

“Guarda-te que não te esqueças do SENHOR teu Deus, deixando de guardar os seus mandamentos, e os seus juízos, e os seus estatutos que hoje te ordeno”. (Deuteronômio 8:11)

“Será, porém, que, se de qualquer modo te esqueceres do SENHOR teu Deus, e se ouvires outros deuses, e os servires, e te inclinares perante eles, hoje eu testifico contra vós que certamente perecereis”. (Deuteronômio 8:19)

“Os ímpios serão lançados no inferno, e todas as nações que se esquecem de Deus“. (Salmo 9:17)

Essas passagens mostram que o esquecimento de Deus não é simplesmente mais um pecado, mas é a raiz de todos os outros pecados, pois quem se esquece do SENHOR passa a seguir os falsos deuses (Deuteronômio 8:19) e deixa de guardar os mandamentos do único Deus verdadeiro (Deuteronômio 8:11). Por causa de nossa natureza pecaminosa, temos a tendência natural de se esquecer (Números 15:39) de Deus e das coisas de Deus – da sua aliança, de seu evangelho e dos seus mandamentos.

Esse é o pano de fundo para entender algo que o Senhor Jesus ensinou na parábola do semeador (Marcos 4:1-9): “Eis que o semeador saiu a semear. E, quando semeava, uma parte da semente caiu ao pé do caminho, e vieram as aves, e comeram-na“. Mais adiante, ele explicou o significado dessa parte parábola: “O que semeia, semeia a palavra; e, os que estão junto do caminho são aqueles em quem a palavra é semeada; mas, tendo-a eles ouvido, vem logo Satanás e tira a palavra que foi semeada nos seus corações” (Marcos 4:14-15). Aqui o Senhor Jesus fala de um cenário em que a semente foi lançada, isto é, a Palavra foi pregada, mas não frutificou. Por que não frutificou? Porque a Palavra foi pregada, mas logo depois foi esquecida. O próprio Satanás trabalhou para que fosse esquecida: “tendo-a eles ouvido, vem logo Satanás e tira a palavra que foi semeada nos seus corações“. Quando a Bíblia fala sobre os corações, está falando primariamente sobre os nossos pensamentos (Gênesis 6:5; 8:21; Provérbios 6:18; Mateus 15:19; Marcos 7:21-23). Tirar dos corações, portanto, significa tirar dos pensamentos – fazer esquecer.

A meditação, então, é apresentada na Bíblia como o antídoto para o pecado do esquecimento. Se por causa da nossa natureza pecaminosa temos a tendência de esquecer e se esse esquecimento é a raiz de todos os demais pecados, a meditação é a maneira de reagir contra essa tendência natural, pois é através da meditação que as palavras do Senhor são fixadas em nossos corações. Ou seja, não é suficiente ouvir a Palavra de Deus. É necessário fixá-la no coração, como a semente que, para dar fruto, precisa criar raízes firmes em boa terra (Marcos 4:6,8). Como está escrito: “Porque, se alguém é ouvinte da palavra, e não cumpridor, é semelhante ao homem que contempla ao espelho o seu rosto natural; porque se contempla a si mesmo, e vai-se, e logo se esquece de como era” (Tiago 1:23-24).

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